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2025

Relatório de Atividades

 Introdução 

2025 não foi um ano fácil. Mais uma vez, o Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios, o que demonstra que ainda temos muito, mas muito trabalho pela frente. Apesar dos pesares, não só pelas derrotas lembramos do último ano. 

As mulheres não se calaram diante dos tantos casos de violência contra as mulheres que tomaram conta do noticiário. Nos últimos meses do ano, vimos mulheres se movimentando e organizando levantes contra os feminicídios de Norte a Sul do país. Também foi em 2025 que tivemos, após dez anos, o retorno de dois eventos de suma importância para o avanço da nossa democracia e dos direitos das mulheres brasileiras: as Conferências de Políticas para as Mulheres e a Marcha das Mulheres Negras.

Dentro do Mapa do Acolhimento, também seguimos em movimento. Em meio a um cenário de tantas urgências, nossas voluntárias estiveram conosco na linha de frente, realizando milhares de atendimentos psicológicos e jurídicos a mulheres que buscaram apoio para enfrentar a violência. Esse trabalho, feito com escuta, responsabilidade e compromisso, é a base do Mapa e só existe graças à atuação cuidadosa e contínua dessas profissionais, que sustentam o acolhimento mesmo nos contextos mais difíceis. Cada pedido de ajuda recebido reforçou aquilo que nos move: garantir que mais mulheres possam atravessar a violência com apoio, proteção e condições reais de reconstruir suas vidas com dignidade.

Mas 2025 também foi um ano de olhar para dentro e fortalecer as bases que sustentam esse trabalho. Avançamos em processos institucionais fundamentais para garantir que o Mapa siga existindo, crescendo e gerando impacto. Revisamos nossa Teoria de Mudança – um exercício coletivo de refletir sobre como nossas ações se conectam ao impacto que queremos gerar no mundo. Em termos simples, a Teoria de Mudança nos ajuda a responder uma pergunta central: de que forma o que fazemos hoje contribui para transformar a realidade que queremos construir amanhã?

Foi também em 2025 que mergulhamos de forma mais profunda no monitoramento e avaliação do nosso trabalho. Criamos indicadores para acompanhar, com mais cuidado e responsabilidade, os resultados que produzimos ao longo do tempo. Monitorar e avaliar é, antes de tudo, um compromisso com a transparência e com o aprendizado: entender o que funciona, o que precisa ser ajustado e como podemos ser mais efetivas na proteção e no fortalecimento das mulheres que chegam até nós.

 

Entre o acolhimento direto, a mobilização, a cooperação com governos e o fortalecimento institucional, seguimos fazendo escolhas que sustentam o presente e preparam o futuro. Porque enfrentar a violência contra as mulheres exige ação imediata, mas também exige estrutura, estratégia e compromisso com o longo prazo.

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Sobre o Mapa

2026 é o ano que o Mapa do Acolhimento completa 10 anos de existência. Nessa última década, passamos por várias fases: iniciamos como uma campanha pontual para conectar sobreviventes de violência sexual a psicólogas dispostas a ajudá-las, transformamos essa ideia num projeto fixo e ampliamos o leque tanto para quem poderia ajudar, incluindo advogadas, tanto para quem poderia ser ajudada, abarcando também as mulheres sobreviventes de qualquer tipo de violência baseada em gênero. 

Em 2023, veio a maior virada de chave da história do Mapa: nos tornamos uma organização independente e passamos a trabalhar com outras estratégias além da provisão de serviços direta. Essa mudança veio a partir do desejo de não mais agir apenas na ponta do problema que enfrentamos, mas sim trabalhar para uma mudança sistêmica, ao lado de quem pode, de fato, impulsionar essa mudança – a sociedade civil e o Estado. 

Desde então, plantamos sementes, colhemos bons frutos e temos nos dedicado a amadurecer os processos e refinar nossas estratégias para ampliar o nosso impacto. Seguimos realizando atendimentos diretos por meio da nossa rede de voluntárias, mas também passamos a incidir na formulação e no fortalecimento de políticas públicas, a produzir e repassar conhecimento a partir da nossa experiência prática e a mobilizar a sociedade para sustentar e defender os direitos das mulheres.

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Acreditamos no cuidado como prática política. Acreditamos que enfrentar a violência exige tanto escuta individual quanto ação coletiva. E acreditamos que a mudança estrutural só acontece quando sociedade civil e poder público assumem, juntos, a responsabilidade de proteger vidas.

Ao completar 10 anos, seguimos com a mesma convicção que nos moveu no início: nenhuma mulher deve atravessar a violência sozinha.

Recado da Diretoria

O ano de 2025 foi de transição. Jussa, uma das integrantes da nossa equipe, trouxe na nossa imersão de fim de ano o poder dessa palavra na sua vivência, dos processos que ela carrega e como ela traduzia bem o anúncio da saída de Enrica, nossa diretora executiva. Ela também nos provocou a pensar que se queremos transformar as estruturas de um país construído a partir da violência contra as mulheres, precisamos ter a coragem de olhar para a nossa própria organização com a mesma radicalidade. E, que, para isso, precisamos revisitar a nossa história, compreender quem somos no presente e decidir, com intenção, o futuro que queremos construir. 


Essa reflexão me atravessou profundamente. Pela primeira vez, eu assumiria uma posição na diretoria executiva do Mapa do Acolhimento e compreendi que essa mudança era também um convite para imaginar novas formas de construir a liderança desta organização, a partir dessa radicalidade. 


No Mapa, acreditamos que um Brasil livre de violência contra as mulheres é um horizonte não só possível, como necessário para o país que queremos existir, e para alcançarmos esse horizonte, é necessário construir a partir da reparação, da justiça sempre buscando o bem viver. Mas, esse futuro não pode existir apenas como um direcionamento para o externo. Nós, enquanto organização, para produzirmos o impacto que queremos, precisamos trazer esses valores de dentro para fora. Não há reparação nem bem viver para as mulheres que acolhemos se esses valores não perpasam também toda a forma como trabalhamos internamente. 


Não foi à toa que dedicamos 2025 a revisar nossa estratégia, fortalecer compromisso com a qualificação constante do nosso trabalho e preparar o Mapa para esse novo ciclo. Ao nos aproximarmos dos nossos dez anos, entendemos que era hora de consolidar as bases para os próximos dez. Por isso, a adoção de um modelo de co-diretoria representa esse compromisso: uma forma concreta de compartilhar poder a partir da construção de uma liderança coletiva e compartilhada. 


Fechamos 2025 prontas para celebrar, em 2026, uma década de Mapa do Acolhimento não apenas olhando para o caminho percorrido, mas para tudo o que ainda queremos transformar. Acreditamos enquanto organização que para realizar e sustentar mudanças duradouras, a transformação acontece porque as pessoas que constroem o Mapa, a equipe, as lideranças, as voluntárias e as mulheres que rompem ciclos de violência, também se transformam. Obrigada a todas as pessoas que fizeram e seguem fazendo parte dessa história e vão continuar se transformando com a gente.

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Ana El Kadri

Diretora de Programas do Mapa do Acolhimento

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Institucional

 Cuidar da estrutura 

 que sustenta o cuidado 

Institucional

 Cuidar da 

 que sustenta 

 estrutura 

 o cuidado 

O fortalecimento institucional do Mapa do Acolhimento é um processo contínuo, que acontece tanto nos bastidores da gestão quanto nos encontros que constroem e renovam vínculos. Em 2025, investimos em ações estruturantes, como a revisão da nossa teoria de mudança, o refinamento de nossas políticas internas e o avanço nos processos de monitoramento e avaliação – que nos ajudaram a qualificar nossa atuação e a olhar com mais clareza para onde queremos chegar. 

Onde estamos e para onde vamos? 

Buscando responder essas duas perguntas tão importantes, contamos com a ajuda das consultoras da Janela 8 para nos aprofundarmos em nossa teoria de mudança e estruturarmos nossos processos de monitoramento e avaliação.

Uma teoria de mudança é a ferramenta estratégica que explicita o caminho que uma organização acredita ser necessário percorrer para gerar transformação no mundo – conectando suas ações cotidianas aos impactos que deseja ver a longo prazo. Essa ferramenta é como uma bússola que orienta nossas escolhas e fortalece nossa coerência institucional. 

Nossa teoria de mudança orienta-se por estratégias feministas, antirracistas, interseccionais e territorializadas, e parte do entendimento de que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ação coletiva e articulação entre sociedade civil e poder público. Por isso, nossa atuação está organizada em três grandes estratégias: 

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Provisão de Serviços

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Mobilização

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Cooperação com Governos

Nossas três frentes de atuação se complementam. Em Mobilização, fortalecemos redes locais de enfrentamento à violência, incentivando a articulação entre sociedade civil e o poder público. Na Cooperação com Governos, oferecemos formações e assessoria para qualificar a implementação de políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Já na Provisão de Serviços, desenvolvemos uma metodologia de acolhimento humanizado, sustentada por uma rede de voluntárias capacitadas que oferecem suporte psicológico e jurídico, com acompanhamento técnico e sistematização contínua de aprendizados.

A Teoria de Mudança do Mapa do Acolhimento nasce da prática do acolher e reconhece que acolher transforma. 

Ela foi construída coletivamente, por meio de um processo participativo de escuta sensível e comprometida com as múltiplas vozes que compõem a organização e organizações parceiras. Ao integrar uma perspectiva interseccional, atenta às múltiplas desigualdades que atravessam os corpos e as histórias das mulheres, nossa teoria de mudança aposta no poder radical do cuidado, da escuta e da rede para mover estruturas e gerar impactos estruturais na vida das mulheres: a redução nos índices de violência contra a mulher e a redução nos índices de feminicídio.

PROVISÃO DE SERVIÇOS

 Acolher para que 

 a vida continue 

A provisão de serviços é a estratégia mais antiga e consolidada no Mapa do Acolhimento. É por meio dessa frente que já conectamos milhares de sobreviventes a outras milhares de psicólogas e advogadas voluntárias no Brasil inteiro. 

Nos últimos anos, realizamos aprimoramentos importantes na nossa tecnologia para tornar esse processo mais ágil, organizado e seguro. Em 2025, esse esforço gerou um resultado concreto: conseguimos zerar o número de voluntárias sem atendimento. Isso significa que todas as profissionais cadastradas estavam ativamente acompanhando ao menos um caso, fortalecendo a rede e ampliando nossa capacidade de resposta.

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Também passamos a acompanhar de forma ainda mais cuidadosa os reencaminhamentos necessários. Analisamos caso a caso, e fizemos chamados específicos buscando voluntárias que pudessem atuar de maneira qualificada em cada situação – seja pela presença no território da acolhida, seja pela experiência com determinado tipo de violência ou contexto específico. Esse cuidado no pareamento tem sido parte essencial da qualidade do nosso trabalho.

2025 também foi marcado por uma articulação significativa com os serviços públicos em diferentes regiões do país. Fomos procuradas por Centros de Referência, Casas Abrigo, Ministério Público e outros equipamentos da rede de proteção que buscaram formação a partir da nossa metodologia de acolhimento. Esse movimento muito nos orgulha, pois demonstra que a experiência acumulada pelo Mapa ao longo de quase uma década tem contribuído não apenas para os atendimentos individuais, mas também para qualificar a atuação de políticas públicas e serviços institucionais.

No campo do engajamento, o ano trouxe uma mudança importante na forma como as voluntárias se conectam entre si. Substituímos os antigos grupos regionais pela Comunidade Mapa do Acolhimento, um espaço que reúne psicólogas e advogadas voluntárias de todo o Brasil. Ali, diariamente, elas compartilham dúvidas, inquietações, aprendizados e estratégias, fortalecendo umas às outras e construindo conhecimento coletivo a partir da prática. Mais do que um canal de comunicação, a comunidade se consolidou como um espaço de troca, apoio e pertencimento.

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Encontro de voluntárias em São Paulo

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Encontro de voluntárias no Rio de Janeiro

Foi também nesse contexto de fortalecimento do engajamento que surgiu o primeiro grupo de voluntárias Madrinhas. A iniciativa nasceu de uma proposta das próprias voluntárias, durante um encontro presencial no início do ano, e foi construída em conjunto com a equipe do Mapa. As Madrinhas são voluntárias que se disponibilizaram a acompanhar mais de perto outras colegas, apoiando em inseguranças, dúvidas técnicas e desafios do dia a dia do voluntariado, além de compartilharem suas experiências na rede. A criação desse grupo reforça algo que já sabíamos: o Mapa se sustenta na potência coletiva das mulheres que o constroem.

Outras duas iniciativas que ganharam forma em 2025 também partiram da escuta e da mobilização das próprias voluntárias. Os Grupos de Acolhimento Psicológico, liderados pela voluntária Juliana Farah, ampliaram as possibilidades de atendimento ao oferecer um espaço coletivo de escuta e troca entre mulheres que vivenciam situações de violência, contribuindo para reduzir o isolamento e fortalecer vínculos de apoio. Já o Projeto Cuidando, iniciativa da voluntária e madrinha Ana Faustino, estruturou encontros de supervisão clínica coletiva voltados às voluntárias, criando um espaço de reflexão sobre os desafios do atendimento e de fortalecimento da segurança técnica no acompanhamento dos casos.

As experiências do último ano reafirmam o Mapa do Acolhimento também como um espaço de co-criação de soluções, onde as voluntárias não apenas atuam na ponta, mas contribuem ativamente para propor e aprimorar e fortalecer coletivamente a rede. É da escuta e da prática compartilhada que seguimos transformando aprendizados em melhorias concretas para quem acolhe e para quem é acolhida.

Metodologia do Acolhimento

A crescente demanda por formações ao longo dos últimos anos impulsionou um desejo antigo que já existia dentro do Mapa: reunir, de forma sistematizada, os registros, aprendizados e experiências acumuladas ao longo da nossa trajetória. Em 2025, demos passos concretos nessa direção e iniciamos a consolidação de um documento robusto, que organiza nossas diretrizes e estratégias de acolhimento, construídas na prática, no contato direto com milhares de mulheres e com a rede de voluntárias que sustenta esse trabalho.

Mais do que um conjunto de procedimentos, nossa metodologia parte de um princípio inegociável: o acolhimento deve ser centrado na sobrevivente. Isso significa reconhecer e respeitar, acima de tudo, sua autonomia. Cada decisão sobre o caminho a seguir pertence a ela. Nosso papel é oferecer informação qualificada, escuta, apoio técnico e emocional, mas nunca substituir sua capacidade de escolha.

Também entendemos que nenhuma violência acontece de forma isolada. Cada caso é atravessado por fatores sociais, econômicos, relacionados à raça, território e conjuntura, que influenciam diretamente as possibilidades de proteção e reconstrução. Por isso, nosso olhar considera o contexto político e social em que cada mulher está inserida, buscando respostas que façam sentido para sua realidade concreta.

Acreditamos em um acolhimento livre de revitimização, baseado em escuta ativa, confiança e respeito. Um acolhimento que não questiona a palavra da sobrevivente, que não impõe julgamentos e que reconhece sua trajetória com seriedade e cuidado.

Ao sistematizar essa metodologia, nosso objetivo não é apenas fortalecer nosso trabalho internamente, mas também compartilhá-la com serviços públicos, organizações da sociedade civil e demais instituições que realizam atendimento direto. Queremos contribuir para a disseminação de boas práticas e para a construção de uma rede de proteção mais qualificada em todo o Brasil.

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Metodologia

do Acolhimento

4.473

Conexões
realizadas

2.428

Voluntárias
cadastradas

3.567

Pedidos de ajuda
recebidos

Com os atendimentos realizados pelas nossas psicólogas e advogadas voluntárias, nosso objetivo é oferecer o suporte necessário para que as acolhidas sejam informadas sobre seus direitos e tenham sua autonomia fortalecida para retomar o controle sobre suas vidas.

Para certificar que os atendimentos estão sendo efetivos nesse objetivo, realizamos o acompanhamento junto às voluntárias e acolhidas por meio dos instrumentais. Esses formulários, enviados periodicamente enquanto os atendimentos estão em curso, nos ajudam a compreender como a acolhida tem lidado com a violência e seus impactos, assim como o entendimento da profissional sobre o caso com o qual está lidando.

Já contávamos com instrumentais de acompanhamento e avaliação dos atendimentos, que nos permitiam monitorar o andamento dos casos e identificar possíveis necessidades de suporte e ajuste. Em 2025, no entanto, demos um passo além: implementamos os instrumentais de qualidade de vida. Esses formulários foram criados para compreender de forma mais ampla a situação da mulher acolhida, investigando aspectos como autoestima, sensação de segurança e outros fatores que influenciam diretamente sua qualidade de vida.

180 dias depois do atendimento iniciado

Ao chegar no Mapa

8%

descrevem sua qualidade de vida como boa

47%

não se sentem capazes de lidar com os impactos da violência

7%

avaliam bem sua autoestima e percepção de si mesma

31%

descrevem sua qualidade de vida como boa ou muito boa

78%

se sentem capazes de lidar, apesar das dificuldades

23%

classificam sua autoestima como boa ou muito boa

A implementação desses instrumentais foi um avanço importante para o Mapa. As respostas recebidas se tornaram um indicativo consistente da efetividade dos atendimentos realizados pela nossa rede. De forma progressiva, as acolhidas relatam melhorias em sua qualidade de vida, maior sensação de segurança e fortalecimento da autoestima ao longo do acompanhamento. Esses dados reforçam que o acolhimento qualificado, centrado na sobrevivente e sustentado por profissionais comprometidas produz impactos concretos na reconstrução de trajetórias marcadas pela violência.

Formações para Serviços Públicos 

  • Fomos procuradas pela Procuradoria Especial da Mulher de São Miguel Arcanjo para a realização de um evento no contexto da campanha Agosto Lilás. Ao nos buscar, a equipe compartilhou desafios importantes no território: dificuldade de acesso a acolhimento imediato, baixo reconhecimento da própria Procuradoria como espaço de apoio e a necessidade de levar informação qualificada às mulheres de forma simples e acessível, sem barreiras técnicas que afastem ou inibam quem precisa de ajuda.

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    A partir desse diálogo, construímos um encontro com foco no autocuidado e na apresentação da rede pública do município. Realizamos uma palestra seguida de roda de conversa com participação de nossas Multiplicadoras, criando um espaço de escuta e troca, e apresentamos os serviços disponíveis no território. A proposta foi trazer informação e cuidado, fortalecendo o acesso aos direitos e à rede de proteção local.

  • Em 2025, realizamos uma formação para a equipe técnica do Centro de Referência da Mulher (CRM) de Jataí, um serviço recente que está em processo de consolidação no município. No diálogo com a equipe, identificamos desafios comuns a equipamentos em fase de estruturação, como a organização de fluxos internos, definição de diretrizes e fortalecimento de práticas de acolhimento.
     

    Com o objetivo de fortalecer o acolhimento humanizado e a escuta especializada, promovemos um encontro online voltado à sensibilização sobre violência de gênero e às práticas de atendimento centradas na sobrevivente. Abordamos temas como identificação das violências, revitimização, rota crítica e articulação com a rede de serviços. Mais do que uma capacitação, foi um espaço de troca com quem atua diariamente na ponta do atendimento, compartilhando aprendizados, escutando experiências e fortalecendo conexões.

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  • Realizamos uma formação para a equipe do Centro de Acolhida para Mulheres (CAE) Lar Ditoso, serviço que oferece acolhimento provisório a mulheres em situação de rua ou em vulnerabilidade decorrente de rompimento de vínculos e/ou violência doméstica.

     

    Ao longo do encontro, dialogamos sobre como os marcadores sociais da diferença atravessam a experiência da violência e impactam o acesso aos serviços, além de aprofundarmos conceitos sobre dinâmicas e tipos de violência de gênero, instrumentos legais disponíveis e os princípios de um acolhimento humanizado com perspectiva interseccional. Também reforçamos a importância da articulação com a Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, reconhecendo que a proteção efetiva depende do trabalho integrado entre serviços. Foi uma oportunidade de troca com uma equipe que atua diariamente na linha de frente do acolhimento, reafirmando o compromisso coletivo de qualificar, continuamente, as práticas de cuidado.

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cooperação com governos

 Incidir para 

 mudar estruturas 

Enfrentar a violência de gênero e raça no Brasil exige respostas que alcancem a escala das desigualdades que a produzem. É a partir dessa compreensão que o Mapa do Acolhimento desenvolve sua estratégia de Cooperação com Governos. Sabemos que apenas o Estado possui a capilaridade e os recursos necessários para garantir que os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha cheguem a todas as mulheres. Ao mesmo tempo, a sociedade civil acumula experiências e metodologias capazes de qualificar a atuação pública.

Ao longo de uma década de trabalho no acolhimento a sobreviventes de violência, o Mapa construiu conhecimentos valiosos sobre as barreiras enfrentadas por mulheres. A estratégia de Cooperação com Governos nasce justamente do encontro entre essas duas dimensões: fortalecer políticas públicas a partir da escuta das mulheres e da experiência acumulada pela sociedade civil.

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A estratégia começou a ser estruturada em 2023, em parceria com o Instituto Geni. O primeiro passo foi a assinatura de um termo de cooperação com a Secretaria Estadual da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas (SEMUDH), que deu origem ao projeto Alagoas por Elas. A iniciativa resultou na elaboração de um plano estadual de políticas para mulheres e na realização de um processo formativo voltado a gestoras públicas que atuam em Organismos de Políticas para as Mulheres (OPMs).

Cooperação com Governos

 Incidir 

 para mudar 

 estruturas 

A experiência em Alagoas demonstrou o potencial transformador dessa atuação e abriu caminho para sua ampliação. Em 2025, firmamos novos acordos com quatro estados do Nordeste: Sergipe, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte, consolidando a expansão da estratégia e ampliando o diálogo entre sociedade civil e poder público na construção de políticas públicas para mulheres.

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Atuação no Nordeste

A decisão de priorizar a região Nordeste no desenvolvimento da estratégia de Cooperação com Governos é resultado de uma escolha política e estratégica. As desigualdades regionais no enfrentamento à violência baseada em gênero no Brasil são profundas, e o Nordeste registra, de forma recorrente, algumas das mais altas taxas de feminicídio do país.

Esses indicadores estão diretamente relacionados a contextos marcados por desigualdades socioeconômicas, racismo estrutural e acesso limitado a serviços públicos especializados. Nesse cenário, mulheres negras e de baixa renda são desproporcionalmente afetadas pela violência, ao mesmo tempo em que permanecem sub-representadas nos espaços de decisão e na distribuição de recursos públicos.

Ao direcionar esforços para a região, buscamos contribuir para o fortalecimento das redes de enfrentamento à violência em territórios historicamente subfinanciados e com menor presença de políticas públicas especializadas para mulheres. A atuação junto aos governos estaduais e municipais também busca enfrentar desafios institucionais que impactam a efetividade da Lei Maria da Penha, ampliando a capacidade de planejamento, implementação e monitoramento das políticas voltadas à proteção das mulheres.

Ações Desenvolvidas

Em 2025, uma das principais frentes da Cooperação com Governos foi a realização do curso Fortalece Elas: Políticas Públicas para Equidade de Gênero nos Municípios, destinado a gestoras que atuam em Organismos de Políticas para as Mulheres nos estados de Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí.

A formação foi concebida para fortalecer técnica e politicamente as lideranças responsáveis pela implementação de políticas públicas para mulheres em seus territórios. Ao longo da trilha formativa, as participantes tiveram contato com conteúdos voltados à compreensão das desigualdades de gênero a partir de uma perspectiva interseccional, à análise da violência baseada em gênero e à qualificação das políticas públicas voltadas à promoção da equidade.

293

Gestoras públicas formadas

em gênero, raça e políticas públicas

139

​Municípios diretamente impactados

pelas ações formativas

Outra frente importante da estratégia foi a elaboração de diagnósticos político-territoriais nos estados de Sergipe, Piauí e Rio Grande do Norte. A partir de metodologia desenvolvida pelo Instituto Geni, realizamos um mapeamento detalhado dos serviços que compõem as redes estaduais e municipais de enfrentamento à violência contra as mulheres de alguns estados. O objetivo desses estudos é compreender o nível de estruturação e maturidade dos OPMs em cada localidade, identificando lacunas institucionais e oportunidades de fortalecimento das políticas públicas existentes. Os diagnósticos resultam em recomendações técnicas voltadas à integração e ao aprimoramento das políticas públicas, além de orientar o planejamento das ações formativas e a produção de materiais estratégicos ao longo do projeto.

Os resultados desses estudos foram compartilhados com gestoras estaduais e municipais, contribuindo para o planejamento de ações estratégicas e para o aprofundamento das parcerias institucionais. Em alguns casos, os diagnósticos também deram origem a processos de assessoria técnica.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, a identificação de lacunas na produção e no uso de dados sobre violência contra as mulheres motivou a elaboração de um estudo complementar, com recomendações para qualificar o uso de informações no planejamento de políticas públicas. Como desdobramento, desenvolvemos o Guia de Uso de Dados sobre Violência contra a Mulher, uma ferramenta prática que orienta gestoras sobre onde acessar dados confiáveis e como utilizá-los para planejar, monitorar e avaliar ações de enfrentamento à violência.

Ainda no contexto potiguar, foi produzido o Guia para Criação de Organismos de Políticas para Mulheres no Rio Grande do Norte, um manual prático que reúne orientações técnicas e políticas para a estruturação desses órgãos nos municípios. O material teve ampla repercussão local e acabou sendo incorporado como norma técnica do Tribunal de Contas do Estado.

Além da produção de materiais técnicos voltados ao fortalecimento da gestão pública, também apoiamos a reativação do Fórum Estadual de Organismos de Políticas para Mulheres. A iniciativa envolveu a mediação e a organização de encontros entre gestoras estaduais e municipais, com o objetivo de fortalecer vínculos institucionais, promover a troca de experiências entre os territórios e criar condições para a construção de estratégias conjuntas de enfrentamento à violência contra as mulheres no estado.

Em Sergipe, a parceria também contribuiu para a construção do primeiro Plano Estadual de Políticas para as Mulheres, desenvolvido a partir de um amplo processo participativo. O plano reúne contribuições oriundas das conferências municipais, regionais e estadual de políticas para as mulheres, além de análises documentais e oficinas de escuta realizadas ao longo do processo.

Essas iniciativas refletem o potencial da Cooperação com Governos para transformar o conhecimento acumulado pela sociedade civil em instrumentos de fortalecimento das políticas públicas, ampliando a capacidade do Estado de responder às múltiplas formas de violência que atingem as mulheres no Brasil.

  • O Projeto Sergipe Delas é uma cooperação com a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres de Sergipe (SPM)

    Curso Fortalece Elas - Políticas Públicas para Equidade de Gênero nos Municípios
    O curso contou com a participação de 73 gestoras de 32 municípios, representando 85% dos municípios do estado que possuem OPMs.

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    Diagnóstico do Nível de Maturidade do Organismo de Política para Mulheres Estadual
    Estudo sobre o nível de maturidade institucional da Secretaria Estadual responsável pelas políticas para mulheres. O diagnóstico analisa a estrutura, os serviços e a capacidade de articulação da política pública, servindo como base para o planejamento de ações estratégicas da Secretaria e para o aprofundamento da parceria institucional.

    Plano Estadual de Políticas Para Mulheres
    Apoio ao processo de construção do primeiro Plano Estadual de Políticas para as Mulheres de Sergipe. A iniciativa buscou ampliar a participação social na formulação das políticas públicas, por meio da facilitação de processos de diálogo entre o poder público e mulheres de diversos grupos sociais presentes no estado.

  • O Projeto Piauí Por Elas é uma Cooperação com a Secretaria de Estado das Mulheres do Piauí (Sempi)

    Curso Fortalece Elas - Políticas Públicas para Equidade de Gênero nos Municípios
    Formação voltada ao fortalecimento técnico e político de gestoras que atuam em políticas públicas para mulheres nos municípios piauienses. O curso contou com a participação de 61 gestoras de 16 municípios.

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    Diagnóstico dos Serviços da Rede Estadual e Municipal de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
    Mapeamento dos serviços que compõem a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres no estado. O estudo identificou lacunas institucionais e apresentou recomendações para fortalecer a integração entre os serviços e qualificar a implementação das políticas públicas.

  • O Projeto Paraíba Por Elas é uma Cooperação com a Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba (SEMDH)

    Diagnóstico dos Serviços da Rede Estadual e Municipal de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
    Mapeamento dos serviços que compõem a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres no estado. O estudo identificou lacunas institucionais e apresentou recomendações para fortalecer a integração entre os serviços e qualificar a implementação das políticas públicas.

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  • O Projeto RN Por Elas é uma Cooperação com a Secretaria das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos 

    Curso Fortalece Elas - Políticas Públicas para Equidade de Gênero nos Municípios

    Formação voltada ao fortalecimento técnico e político de gestoras que atuam em Organismos de Políticas para Mulheres no Rio Grande do Norte. O curso contou com a participação de 61 gestoras públicas de todos os municípios do estado que possuem OPMs.

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    Diagnóstico de Maturidade Institucional das OPMs municipais e estaduais

    Estudo sobre o nível de maturidade institucional dos OPMs municipais e estadual, analisando sua estrutura, funcionamento e capacidade de articulação. O diagnóstico serviu como base para o planejamento das ações formativas e para o desenvolvimento de materiais orientadores no âmbito do projeto.

    Fórum Estadual de Organismos de Políticas para Mulheres

    Apoio ao processo de reativação do Fórum Estadual de OPMs, por meio da mediação e organização de encontros entre gestoras estaduais e municipais. A iniciativa buscou fortalecer vínculos institucionais, promover trocas entre os territórios e criar condições para a construção de estratégias conjuntas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

    Guias para Melhoria da Cultura e Qualificação do Uso de Dados

    GUIA DE USO DE DADOS SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER.pdf
    Desenvolvimento de material técnico voltado à qualificação do uso de dados na gestão pública. O guia reúne orientações sobre como acessar, interpretar e utilizar informações sobre violência contra as mulheres, contribuindo para fortalecer a gestão baseada em evidências e aprimorar o planejamento e o monitoramento das políticas públicas.

    Guia para Criação de Organismos de Políticas para Mulheres

    Guia para Criação de OPMs no RN - Versão Final.pdf
    Elaboração de manual prático com orientações técnicas e políticas para a criação de Organismos de Políticas para Mulheres nos municípios do Rio Grande do Norte, reunindo informações sobre os caminhos institucionais necessários para a implementação dessas estruturas.

mobilização

 Fortalecer redes 

 para enfrentar 

 a violência 

mobilização

 Fortalecer redes para 

 enfrentar a violência 

Sobre a estratégia

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Para enfrentar um problema estrutural como a violência de gênero, é fundamental que a sociedade civil esteja organizada, informada e articulada. A estratégia de Mobilização do Mapa do Acolhimento nasce dessa compreensão: fortalecer redes de mulheres, ativistas e coletivos feministas que atuam diretamente em seus territórios e que desempenham um papel essencial na defesa de direitos e no enfrentamento às violências.

A partir dessa estratégia, o Mapa desenvolve ações que conectam diferentes dimensões do enfrentamento à violência de gênero e raça. Atuamos na formação e no fortalecimento de lideranças comunitárias, no apoio a iniciativas locais de mobilização social, na articulação entre organizações da sociedade civil e na criação de espaços de diálogo entre ativistas, coletivos e instituições públicas. Ao fortalecer essas redes, contribuímos para ampliar a capacidade da sociedade civil de atuar tanto na prevenção da violência quanto na promoção de políticas públicas mais eficazes e sensíveis às realidades dos territórios.

32

Atividades e produtos em parceria

com a Rede de Enfrentamento

6.146

Pessoas alcançadas
em ações de Mobilização

Entendemos que para que o ativismo feminista de base consiga se manter ativo, ele precisa de condições concretas para acontecer. Por isso, o acesso a recursos financeiros se tornou parte central da estratégia de Mobilização. Em 2025 o Mapa do Acolhimento apoiou diversas ações de multiplicadoras que atuam enfrentando a violência de gênero em seus territórios, tanto com repasse de recursos quanto com suporte técnico oferecido pela nossa equipe.

Os recursos foram garantidos pela Born This Way Foundation, através do fundo Kindness in Community, que busca promover organizações e projetos que potencializam a atuação da juventude com foco na saúde mental e ambientes inclusivos. Esses recursos foram aplicados em ações que envolveram diferentes públicos e territórios, mobilizando jovens, lideranças comunitárias, coletivos feministas e organizações da sociedade civil em atividades formativas, encontros presenciais, articulações políticas e iniciativas de fortalecimento ativista. Essas ações contribuíram para ampliar redes de apoio, fomentar debates públicos e fortalecer a participação social nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Programa de Multiplicadoras

Em 2025, o Programa de Multiplicadoras seguiu ampliando sua presença nos territórios por meio da atuação direta de mulheres que integram a comunidade de ativistas do Mapa do Acolhimento. As multiplicadoras são mulheres que, a partir de suas próprias comunidades, promovem ações de sensibilização, formação e mobilização social, aproximando debates sobre violência de gênero e raça do cotidiano de diferentes públicos.

Ao longo do ano, as multiplicadoras atuaram em parceria com instituições públicas e organizações locais, promovendo ações que permitiram que mulheres de diferentes gerações pudessem dialogar sobre direitos, reconhecer situações de violência e conhecer os caminhos de acesso à rede de apoio disponível em seus territórios. Muitas dessas ações também buscaram estimular o protagonismo da juventude, fortalecendo sua capacidade de participar de debates públicos e de atuar na promoção de direitos em suas comunidades.

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As atividades realizadas por elas também contribuíram para consolidar espaços de cuidado coletivo entre ativistas e fortalecer vínculos entre mulheres que atuam na defesa de direitos. Ao conectar formação, mobilização social e articulação comunitária, o programa contribuiu para que mais pessoas tivessem acesso a informações e ferramentas para enfrentar a violência de gênero em seus territórios.

Ações organizadas por Multiplicadoras

  • Em parceria com a Secretaria da Criança e Juventude de Pernambuco, o Mapa do Acolhimento realizou duas formações sobre direitos da juventude, gênero e saúde mental nas Casas das Juventudes de Condado e Surubim. As atividades reuniram cerca de 30 jovens em cada município e foram facilitadas por Ítala Ferreira, multiplicadora do Mapa, ao lado de Clarice Mendes, advogada voluntária da organização e gerente de políticas para juventudes da secretaria, além de especialistas convidadas. 

    Durante os encontros, os participantes refletiram sobre temas como diversidade, bullying, crimes digitais e discursos de ódio. Como parte da programação, uma oficina de produção audiovisual para promoção de direitos convidou os jovens a pensar no uso estratégico das redes sociais para disseminar informações e mobilizar suas comunidades.

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  • Na comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Mirangaba, uma ação realizada pela multiplicadora Letícia França, através do Projeto Acolher, reuniu jovens em atividades voltadas ao enfrentamento da violência de gênero e à promoção da saúde mental.

    Com apoio do Mapa do Acolhimento, foram realizadas oficinas, rodas de conversa e apresentações artísticas para criar um espaço de escuta e compartilhamento de experiências. As reflexões geradas nas atividades resultaram em um plano de ação apresentado em sessão especial da Câmara de Vereadores de Mirangaba, que contribuiu para a criação da primeira Comissão de Enfrentamento à Violência de Gênero e Promoção da Saúde Mental do município.

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  • Em Salvador-BA, o encontro Café e Ativismo reuniu multiplicadoras e voluntárias do Mapa do Acolhimento para um momento de troca, cuidado coletivo e fortalecimento de vínculos entre mulheres que atuam no enfrentamento à violência de gênero. A programação incluiu dinâmicas e rodas de conversa sobre autocuidado, sustentabilidade da militância e ação coletiva. Como parte da mobilização, as participantes também realizaram uma ação no Centro Histórico da cidade para compartilhar informações sobre o trabalho do Mapa e orientar a população sobre como buscar apoio em situações de violência.

    Também em Salvador, o Mapa do Acolhimento apoiou a realização de duas edições do Café com Elas, encontro mensal realizado pela multiplicadora Rebeca Barbosa, que atua junto a Frente Nacional de Negros e Negras. A atividade reúne mulheres negras de diferentes gerações para debater ancestralidade, trocar experiências e fortalecer vínculos entre ativistas e organizações. O encontro conta com rodas de conversa, apresentações culturais e a participação de lideranças de movimentos sociais, reforçando a importância da mobilização coletiva no enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero.

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  • O Coletivo Jovens Protagonistas da Costa dos Corais, contou com o apoio do Mapa do Acolhimento para realizar o I Encontro de Jovens Protagonistas da Pesca da Costa dos Corais. Organizado pelas multiplicadoras Gabrielly Ferreira e Tayná Oliveira, o evento permitiu que a juventude da pesca artesanal de diversos territórios refletissem sobre os impactos das mudanças climáticas em suas vidas e comunidades, e como fortalecer redes de cuidado e resistência. Entre rodas de conversa, oficinas e dinâmicas, o protagonismo jovem esteve no centro do debate, construindo caminhos para um futuro mais justo e sustentável para todos. As propostas elaboradas no encontro foram levadas para serem incorporadas à Política Estadual de Saúde das Mulheres Pescadoras. 

    Esse encontro foi fruto das articulações viabilizadas pelo Todas Por Alagoas, compondo mais uma ação de impulsionamento da atuação da Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais, uma das iniciativas contempladas pelo programa. 

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Todas por Alagoas

Em 2025, uma das principais iniciativas da estratégia de Mobilização foi o fortalecimento de coletivos feministas e comunitários por meio do programa Todas por Alagoas. Criado para apoiar iniciativas que já atuam em seus territórios no enfrentamento à violência de gênero, ofereceu suporte institucional, formação, articulação com o poder público e visibilidade para ações de 3 coletivos alagoanos. O projeto foi financiado pela Embaixada da França no Brasi,l que tem como intuito fortalecer a igualdade de gênero pelo mundo através de uma diplomacia feminista.

Durante seis meses, o programa apoiou no desenvolvimento de planos de ação próprios voltados à prevenção da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de enfrentamento e à ampliação do acesso das mulheres a direitos e serviços públicos. As iniciativas receberam apoio técnico para planejar suas atividades, ampliar sua capacidade de incidência política e fortalecer parcerias com instituições públicas e organizações da sociedade civil.

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O impacto das ações desenvolvidas pelas iniciativas ao longo do programa demonstra a potência das iniciativas locais na construção de respostas comunitárias à violência de gênero e raça. Somadas, as atividades realizadas pelo Coletivo Maria Bonita, pelo Grupo de Pesquisa Frida Kahlo e pela Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais mobilizaram mais de 1.800 mulheres, jovens e profissionais, por meio de formações, campanhas educativas, audiências públicas e ações de articulação política.

Após o sucesso do Todas por Alagoas, a Embaixada da França garantiu uma nova rodada de financiamento para replicar a estratégia em outro estado. Ainda em 2025, lançamos o Todas por RN, já com o processo de seleção e formalização de parcerias com iniciativas feministas do Rio Grande do Norte em andamento. O programa tem se consolidado como um ponto de convergência entre as estratégias de Mobilização e Cooperação com Governos, sendo implementado em estados onde o Mapa, junto ao Instituto Geni, estabelece Acordos de Cooperação Técnica com Organismos de Políticas para Mulheres.

Ações do Programa Todas por Alagoas 

  • Atuando no sertão alagoano, desenvolveu ações voltadas ao fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e à sensibilização da comunidade sobre o tema.

    • +610 mulheres impactadas diretamente pelos atendimentos, oficinas e eventos realizados pelo Coletivo Maria Bonita;

    • +420 estudantes do ensino médio passaram por suas formações sobre cuidados com a saúde mental e prevenção ao feminicídio;

    • Desenvolveram 7 parcerias com instituições públicas, universidades e outras organizações da sociedade civil.

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  • Teve como foco a formação de profissionais da educação e a produção de materiais educativos sobre igualdade de gênero, raça e enfrentamento à violência.

    • +780 jovens e adultos impactadas pelas ações educativas realizadas pelo Grupo de Pesquisa Frida Kahlo em 6 escolas, que receberam o Selo de Escola Lilás;

    • Distribuíram +1500 cartilhas sobre serviços e atendimentos às mulheres vítimas de violência em Maceió/AL;

    • Criaram o Observatório Alagoas de Igualdade de Gênero, a partir da análise +6.290 boletins de ocorrência sobre violência de gênero.

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  • Promoveu ações para ampliar a visibilidade das violências enfrentadas por mulheres que atuam na pesca artesanal e fortalecer sua organização política.

    • +450 mulheres pescadoras e marisqueiras impactadas pelas ações da Rede de Mulheres Pescadoras;

    • Realizaram 37 rodas de conversa e reuniões com pescadoras e marisqueiras para debater sobre violências de gênero;

    • Construíram 19 parcerias para o fortalecimento dos direitos das mulheres pescadoras e marisqueiras de Alagoas.

    • Elaboração e lançamento da cartilha "Violência de Gênero na Pesca - Guia de enfrentamento à maré de violência contra as mulheres das águas e dos mares”, material desenvolvido em parceria com a Secretaria da Mulher e Direitos Humanos de Alagoas, pioneiro sobre o tema no país.

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Eventos

 Por onde andamos 

Ao mesmo tempo em que nossa sociedade vive na era da hiperconectividade, nunca estivemos tão ausentes em nossas relações sociais. E não há nada melhor para sanar esse sintoma dos nossos tempos do que encontros propositivos, onde podemos olhar nos olhos e exercitarmos a verdadeira presença. A partir dessa reflexão, do desejo de nos aproximarmos da nossa comunidade e de criar um senso coletivo de pertencimento, organizamos e incentivamos diversos encontros entre as mulheres que fazem o Mapa do Acolhimento acontecer. 

Marcha das Mulheres Negras

Brasília

Como uma organização formada majoritariamente por mulheres negras, participar ativamente da II Marcha das Mulheres Negras foi uma prioridade em 2025 e um marco importante na trajetória do Mapa do Acolhimento. A Marcha, que tem caráter político, formativo e mobilizador, reúne milhares em torno de uma agenda comum de enfrentamento ao racismo e às múltiplas violências que impactam de forma desproporcional a vida das mulheres negras.

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Nesse contexto, participamos da criação do Comitê de Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça, uma articulação coletiva formada por organizações que atuam com acolhimento, informação e incidência política para a garantia de direitos. O comitê foi construído em parceria com Instituto Odara, Frente Nacional de Negras e Negros, Gênero e Número, Instituto GENi, Instituto AzMina, Casa Sueli Carneiro, Mulheres Negras Decidem e Nós, Mulheres da Periferia, com o objetivo de fortalecer redes de apoio, ampliar a circulação de informações qualificadas e incidir politicamente no enfrentamento às desigualdades que afetam mulheres negras.

Também estivemos à frente da organização do evento de lançamento do Comitê, realizado na Casa Sueli Carneiro, em São Paulo. O encontro reuniu organizações parceiras, ativistas e lideranças para apresentar a proposta da iniciativa e promover um espaço de diálogo sobre os desafios do enfrentamento à violência de gênero e raça. Para nós, contribuir com esse processo coletivo reforça nosso compromisso com uma atuação conectada às lutas históricas das mulheres negras e com a construção de respostas articuladas frente às violências estruturais que atravessam nossas vidas cotidianamente.

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Mais Eventos

  • Nova Iorque

    A Commission on the Status of Women (CSW) é um evento anual promovido pela ONU, que chegou a sua 70‭ᵃ edição em 2025 e tem como objetivo reunir representantes de governos, organizações internacionais e sociedade civil para definir compromissos políticos nessa agenda. O tema deste ano foi: garantir e fortalecer o acesso à justiça para todas as mulheres e meninas, promovendo sistemas jurídicos inclusivos e equitativos, eliminando leis, políticas e práticas discriminatórias e enfrentando barreiras estruturais.

    Paralelamente às sessões oficiais, ocorrem os chamados eventos paralelos, organizados por organizações da sociedade civil, e o Mapa do Acolhimento foi selecionado para apresentar um painel nesse ano, oportunidade da qual pudemos contar dos desafios enfrentados pelas sobreviventes de violência de gênero no Brasil no acesso à justiça e apresentar os mecanismos criados pela sociedade civil para saná-los a partir do nosso trabalho. Tivemos participantes até do Nepal!

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  • Brasília

    O reconhecimento do trabalho do Mapa do Acolhimento na produção de conteúdos informativos baseados em evidências e sensíveis às questões de gênero nas redes sociais foi destacado em um estudo conduzido pela Fiocruz sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos. A partir desse levantamento, fomos convidadas a participar do 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco (Abrascão), um dos maiores encontros de saúde coletiva do país.

    No evento, integramos um painel que abordou o papel da sociedade civil na promoção da saúde pública e na garantia de direitos, reforçando a importância de iniciativas que contribuem para ampliar o acesso à informação qualificada e fortalecer o debate público sobre saúde e direitos. A participação no Abrascão representou uma oportunidade de diálogo com pesquisadoras, gestoras e organizações que atuam na área, aproximando o conhecimento produzido pela sociedade civil dos espaços de formulação e reflexão em saúde coletiva.

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  • Rio de Janeiro

    Organizado pelo Centre for Exponential Change (C4EC) em parceria com o Instituto Beja – responsável pela implementação do Centro para Mudanças Exponenciais no Brasil – o The exChange Summit foi um evento que reuniu organizações, financiadores e lideranças de todo o mundo para compartilhar aprendizados, formar conexões e pensar caminhos para a mudança exponencial. 

    O C4EC é um parceiro de longa data do Mapa do Acolhimento. Por meio de mentorias personalizadas para pensar em soluções escaláveis de impacto, construímos um espaço contínuo de reflexão sobre as nossas estratégias e como podemos aprimorá-las para alcançar mais mulheres que precisam de acolhimento. Foi a partir dessas reflexões que fomos convidadas a apresentar no evento o nosso modelo de mudança exponencial, que passa pelo fortalecimento de voluntárias, multiplicadoras e servidoras em todo o Brasil a partir da nossa metodologia de acolhimento humanizado.

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  • Brasília e Santos

    Por meio de uma iniciativa do Instituto Incube junto à Oak Foundation, fomos selecionadas para compor uma comunidade de organizações que atuam com temáticas relacionadas aos direitos das mulheres. A partir dessa comunidade, surgiram oportunidades de novas parcerias, trocas de experiências e ações em conjunto promovidas pelas organizações feministas do grupo. Foram realizadas duas imersões, em Santos e Brasília, onde representantes das organizações estiveram juntas para aprofundar o conhecimento sobre os trabalhos de cada organização, identificar pontos de convergência e pavimentar caminhos de colaboração e incidência conjunta.

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 Transparência 

A transparência é um valor estruturante da atuação do Mapa do Acolhimento e expressão direta do compromisso ético que orienta cada uma de nossas práticas. Para uma organização que oferece atendimento direto a mulheres em situação de violência, a responsabilidade no uso dos recursos vai além da boa gestão financeira: ela é condição para a continuidade do trabalho e para a sustentabilidade da organização. Cada recurso alocado representa a possibilidade concreta de uma mulher ser acolhida, seja pela nossa rede de voluntárias ou por meio dos serviços públicos da rede de enfrentamento à violência.

Execução do orçamento em 2025

48,6%

Equipe (R$ 3.367.706,58)

17,2%

Implementação total (R$ 1.190.954,17)

10,8%

Consultorias (R$ 746.518,45)

9,3%

Viagens (R$ 644.520,79)

3,9%

Transferência de renda (R$ 267.884,86)

3,6%

Equipamentos e plataformas (R$ 249.414,63)

3,2%

Comunicação (R$ 219.608,96)

3,0%

Administrativo (R$ 208.031,77)

0,4%

Eventos (R$ 30.454,06)

Não por acaso, a equipe é a linha de maior peso no nosso orçamento. Como organização feminista, entendemos que justiça socioeconômica começa dentro de casa: todas as colaboradoras são contratadas pelo regime CLT. Se por um lado a modalidade é o caminho para a garantia de direitos trabalhistas plenos, por outro, a celetização representa um custo significativamente maior do que modelos de contratação mais comuns no setor. Na prática, isso resulta em uma equipe menor do que a de organizações de porte semelhante, pois cada contratação só acontece quando temos a segurança de recursos a médio prazo.

Auto-declaração de raça

Faixa etária

Escolaridade

Além dos direitos básicos, os benefícios que oferecemos estão diretamente relacionados ao perfil da nossa equipe. O Mapa do Acolhimento é uma organização composta majoritariamente por mulheres negras, para quem benefícios como o auxílio educação são instrumentos concretos de emancipação e acesso a espaços que historicamente lhes foram negados. 

Auditoria

A prestação de contas no Mapa do Acolhimento é um processo contínuo, que começa no dia a dia: a conciliação financeira mensal organiza e documenta cada movimentação, checando receitas e despesas com rigor e atenção às exigências fiscais. Esse cuidado cotidiano culmina, anualmente, na auditoria externa – um processo independente que avalia a conformidade e a eficiência no uso dos recursos e que reforça nossa credibilidade perante financiadoras, parceiras e a sociedade. Mais do que uma obrigação, a auditoria é para nós uma ferramenta de gestão e um compromisso ativo com a transparência, pois entendemos que gerir bem os recursos que nos são confiados é essencial para seguir captando novos apoios e, com eles, ampliando o alcance do nosso impacto. A auditoria referente ao exercício de 2025 está disponível para consulta no link a seguir.

 Agradecimentos 

Desde o início, o Mapa do Acolhimento é uma organização que só existe a partir da ação coletiva. Todo o impacto que causamos nesses quase 10 anos foi construído pelas milhares de mulheres que se dispuseram a trabalhar voluntariamente, pelas que mobilizam suas comunidades, pelas tantas outras que confiaram suas histórias e seu processo de cura a este trabalho, pelas parceiras que estão ao nosso lado na luta e por tantas doadoras e doadores que fortalecem a nossa existência.

Deixamos aqui nossos sinceros agradecimentos aos doadores que apoiaram nosso trabalho em 2025: 

 Ainda não apoia 

 o nosso trabalho? 

Ao fazer uma doação para o Mapa do Acolhimento, você nos ajuda a impactar positivamente a vida de milhares de mulheres por meio do acesso à saúde mental, justiça e acolhimento.

Agradecemos também às instituições financiadoras que, com o seu apoio, tornaram possível a sustentação e o crescimento do nosso trabalho em 2025:

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A confiança de cada uma delas é o que nos permite planejar com horizonte e seguir ao lado das mulheres que nos buscam. É uma honra contar com parcerias que reconhecem a importância do enfrentamento à violência de gênero e raça e que escolhem, junto conosco, investir na construção de um Brasil mais justo e seguro para todas as mulheres.

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